Agenda 21 Vacaria/RS

nov 20

 

         Instituído, através da lei 12.519 de 10 de novembro de 2011, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, com o objetivo de promover a reflexão e o debate sobre a inserção dos negros  na sociedade brasileira. Mas, desde a década de 60 a data é comemorada.

         Há 125 anos, oficialmente, foi abolida a escravidão no Brasil, mas até hoje, ainda se fazem necessárias campanhas e ações de combate ao trabalho escravo e um grande número de trabalhadores e trabalhadoras trabalham em situação análoga.

         E os historiadores e historiadoras, com raras exceções, até mesmo aqueles cujas ideias e elaborações são utilizadas pelo movimento sindical e popular, de um modo geral ignoram o trabalho desenvolvido pelos negros e indígenas em nossa sociedade e falam da história da organização dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil a partir da chegada em massa dos  imigrantes europeus.

         Esquecem que os indígenas verdadeiros donos desta terra chamada Brasil e os africanos e seus descendentes, tinham e têm sua história, sua cultura, sua religiosidade, seus conhecimentos, suas experiências, baseadas na solidariedade e no respeito  o que foi fundamental para o enfrentamento ao processo de escravidão. Os quilombos são um belo exemplo de resistência e organização.

         Esquecem, também, que antes da chegada dos europeus em massa existia trabalho no Brasil e era desenvolvido pelos negros e indígenas e seus descendentes e que os mesmos são diretamente responsáveis pela quebra do sistema de monocultura, através das culturas de subsistência tanto nas fazendas como nos quilombos, sendo mesmo, o comércio entre vilas e comunidades quilombolas, o principal mercado existente.

         Certamente graças à luta cotidiana dos indígenas e afrodescendentes, muita coisa mudou; mas apesar dos avanços, inclusive da própria sociedade brasileira, o que se constata é que mesmo para negros que têm o mesmo número de anos de estudo que os brancos, têm uma menor inserção em determinadas profissões e setores e recebem menores salários, muitas vezes, desenvolvendo as mesmas atividades.

         Estudos oferecem diversas causas para estas discriminações, que são ainda maiores em relação às mulheres negras, mas a causa fundamental está na colonização europeia, na diáspora africana, na escravidão, na quase completa dizimação do povo indígena; na ideologia do branqueamento e superioridade racial, na exclusão dos negros  dos postos de trabalho e do processo educacional, com a imigração e o deslocamentos dos mesmos para os centros menos desenvolvidos, no falso mito da democracia racial, nos estereótipos e preconceitos contra o povo negro e indígena.

        A não integração de negros e negras após a “abolição” e a consequente política, levou a um processo sistêmico de exclusão d e seus descendentes, que perpassam todos os setores da nossa sociedade, seja no não reconhecimento da historiografia do negro, seja, na política de marginalização, na política partidária, nos espaços geográficos, nos espaços sociais e econômicos, que culmina com o processo cada vez mais acelerado de dificuldades quer físico, político e social desta camada da sociedade.

         Mas o certo é que, não podemos esquecer de que o Estado brasileiro e a Europa têm uma dívida histórica, humanitária e financeira para com o povo africano, para com os indígenas e para com os afrodescendentes em nosso país.

Site by Six Interfaces - Powered by Wordpress